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Mês: 4/2008


Visão sistêmica relaciona Conhecimento e Ativos Intangíveis


Para fazer a gestão do conhecimento de uma organização é necessário ter, primeiro, uma visão sistêmica do capital intelectual e das redes de relacionamento construídas por ela e por seus colaboradores. A partir daí, são estabelecidas estratégias e diretrizes para mensurar os ativos intangíveis da organização e gerenciá-los de forma que agreguem valor para a empresa e a sociedade.  É assim que pensam e trabalham a Petrobras e a Votorantim Celulose e Papel (VCP), conforme mostraram as apresentações feitas durante as clínicas de gestão que fizeram parte do primeiro dia do 16º Seminário Internacional Em Busca da Excelência.

Governança corporativa, sustentabilidade, marcas, conhecimento, inovação, tecnologia da informação, talentos e clientes foram abordados pelos palestrantes Alexandre Korowajczuk, da Petrobras, e Naldo Medeiros Dantas, da VCP. Hoje, a maioria das organizações está convencida de que esses itens têm peso cada vez maior no seu valor de mercado. Por isso, passaram a dar grande relevância para estes ativos até então tidos como intangíveis.

080428_Alexandre_Petrobras1.JPGA Petrobras apresentou o Programa de Gestão do Conhecimento, cujo objetivo é fortalecer as competências operacionais, gerenciais e tecnológicas, além de garantir a disseminação interna do conhecimento. De acordo com Korowajczuk, por causa da globalização e do ritmo frenético das mudanças organizacionais, há dificuldades por parte das empresas em processar o conhecimento. “O fluxo do conhecimento está se deteriorando em virtude da falta de tempo para assimilar rapidamente as mudanças”, comentou o executivo.

Exemplos de motivação

De acordo com Korowajczuk, o conhecimento deve ser visto como um ativo organizacional que facilita o processo de tomada de decisão ao melhorar a sua qualidade e reduzir os fatores de risco. “Tão importante quanto o conhecimento que se encontra documentado em relatórios, padrões ou procedimentos é o conhecimento acumulado pelos indivíduos em anos de experiência, dentro e fora da Petrobras”, afirma.

Tanto Korowajczuk quanto Dantas citaram, como exemplos de motivação para a Gestão do Conhecimento a cultura organizacional, a experiência adquirida no posto de trabalho e a rede de relacionamentos que é formada pelos colaboradores. “Devemos construir processos para o debate e a troca de conhecimento, sempre”, disse o executivo da Petrobras.

080428_Votorantim1.JPGNa atualidade, o tema inovação não pode ser visto apenas sob o ponto de vista tecnológico. As características específicas das atividades, em geral, impõem a necessidade de inovar também em gestão. Segundo Dantas, o conhecimento e a inovação estão estreitamente correlacionados. “O conhecimento é o alicerce que alavanca a inovação”, afirma. Para ele, a essência do conhecimento gerador de resultados é formada pela rede de relacionamentos e pela diversidade dos colaboradores. “Não é possível fazer Gestão do Conhecimento se uma empresa não tiver visão e a busca da inovação”, completou.

Capital intelectual

A excelência tecnológica desenvolvida pela Petrobras em todas as áreas de atuação responde por parte significativa de seu valor de mercado. O capital intelectual acumulado pela companhia ao longo de mais de 50 anos de atividade, especialmente na exploração e produção em águas profundas, tem constituído moeda de troca que lhe abre novas frentes de negócios. “Este processo também viabiliza parcerias e influi na tomada de decisão pelos investidores que nela apostam”, contou Korowajczuk.

Embora ainda não se possa calcular em valores correntes esse capital intelectual que se denomina ativos intangíveis, a Petrobras vem classificando-os em quatro grupos: humanos, organizacionais, de domínio tecnológico e de relacionamento. A gestão do capital intelectual identifica, por meio de uma visão sistêmica, os ativos intangíveis, além de estabelecer estratégias e diretrizes para o seu desenvolvimento. “A partir das estratégias objetivas da organização são definidos os ativos intangíveis. Eles permeiam toda a companhia. Para gerenciar um ativo, é preciso saber qual o valor que se quer extrair dele”, afirmou o executivo.

Na Votorantim Celulose e Papel há o Sistema Integrado de Gestão (SIG) VCP, que conjuga as melhores práticas de todas as unidades da empresa, com foco na qualidade e na redução de custos. “O objetivo é integrar todas as ações e esforços para a obtenção dos melhores resultados”, explicou Dantas. Ele contou ainda que a Academia de Excelência Votorantim é um centro de geração de conhecimento e de desenvolvimento de profissionais dentro do grupo. “A idéia é manter uma equipe atualizada, alinhada com as demandas de crescimento da companhia e com um olhar crítico capaz de promover melhorias contínuas dentro das empresas”, ressaltou.

Segundo Dantas, antes de montar um sistema de indicadores que avalie o impacto da Gestão do Conhecimento, é preciso identificar e avaliar os ativos intangíveis da organização. “São eles que, essencialmente, trazem valor para as empresas. Por isso, para ganhar e manter a competitividade é fundamental que as empresas identifiquem, gerenciem e meçam os seus ativos intangíveis”, conclui.

Tatiana Assumpção

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