Mês: 4/2008
Embafort e FGV integram inovação a modelo de gestão
Uma experiência prática aliada aos estudos do Fórum de Inovação da FGV mostrou como é possível inserir o tema inovação em um modelo de gestão. Moysés Simantob, professor do Departamento de Operações na FGV-EAESP, co-fundador e coordenador do Fórum de Inovação da instituição, abordou em palestra os conceitos e desafios da inovação nas organizações. A experiência em questão é da Embafort Embalagem, empresa paranaense cuja prática ilustrou as palavras de Simantob com sua visão de negócio focada no meio ambiente.
Segundo Simantob, o Fórum foi estruturado em 1999 em parceria com organizações de sucesso, o que permitiu unir o conhecimento acadêmico, com o apoio de professores e alunos de mestrado, às práticas do dia-a-dia e o envolvimento de empresários. “Nosso objetivo é desvendar o conceito de inovação e integrá-lo ao modelo de gestão para que os gestores possam ser agentes de mudanças do status quo”, afirmou. Para o professor, a inovação deve ir além da academia para, desta forma, servir como um elemento direcionador de estratégias para o País.
Para Simantob “o processo de inovação não é explícito. Ele começa na mudança de postura”. “É preciso haver na organização liberdade de comunicação e espaço para a improvisação”, complementa.
Muita paixão e pouco dinheiro
Inovação faz parte do cotidiano de Humberto Cabral, diretor e fundador da Embafort Embalagem Industrial, empresa situada em Curitiba/PR que atua no segmento de produção de embalagens automotivas, caixas para exportação, pallets e peças especiais de madeira.
Com apenas 70 doláres no bolso e paixão pelo meio ambiente, Cabral criou, em 1988, soluções para a reutilização dos resíduos de madeira na criação de embalagens. Para ele, “resíduo não é passivo ambiental e sim matéria-prima em lugar errado”.
Atualmente, a organização tem como clientes a Renault, a Volvo e a Audi. É a primeira no segmento a ter a certificação ISO 9001 e a primeira no mundo com a certificação 14001. “Hoje, a empresa que não for ambiental e socialmente responsável está fora do mercado. É preciso que haja redução, reutilização e reciclagem como parte do processo produtivo”, alerta Cabral.
Além de ser uma empresa que inova nas ações relativas à Sociedade, a Embafort é também benchmark em relação ao atendimento aos clientes. “Quando recebemos o pedido, elaboramos o projeto em até duas horas e o protótipo, em seis; assim, conseguimos entregar o produto no dia seguinte”, conta.
Para promover a satisfação integrada dos seus profissionais, clientes e fornecedores Cabral afirmou ser necessário que a organização tenha um líder co-inspirador com visão de futuro e noção de que o ser humano é resistente a mudanças. “Para inovar é necessário criar ambientes sem barreiras, em que se possa ter liberdade para propor idéias”, ensina.
No final das apresentações, os palestrantes debateram o tema com Filipe Cassapo, líder da Gestão do Conhecimento da FNQ. Questionado sobre a aplicação da inovação na organização sem que haja resistência, Filipe responde: “a inovação pode partir de uma ou duas pessoas, e se o resultado for positivo ele é percebido, chamando a atenção daqueles que estão fora desse processo. A partir daí, é possível criar oportunidades para disseminar a inovação na organização”, explica.
Para Humberto Cabral, a oportunidade de se criar uma cultura de inovação depende da promoção de um ambiente favorável à criatividade. A idéia é complementada pelo acadêmico. “Toda boa empresa é uma nova escola. Aprender é um ato de criar”, afirma.
Daniella Gomes
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