Mês: 4/2008
Encontro mostra a relevância da boa gestão nas MPEs
A importância de se adotar um modelo de gestão em micro e pequenas empresas (MPEs) foi tema de conversa entre os vencedores do Prêmio Mulher de Negócios e do Prêmio Competitividade ambos promovidos pelo Sebrae e executivos da FNQ. Empreendedores de 30 MPEs agraciados em 2007 participam do Seminário, além de dez empresárias reconhecidas com o Prêmio Mulher de Negócios. Pela FNQ, estiveram presentes o coordenador do Prêmio Nacional da Qualidade® (PNQ), Gustavo Utescher, e a coordenadora da Rede Nacional da Gestão Rumo à Excelência, Juliana Iten.
Utescher e Juliana apresentaram o funcionamento do Modelo de Excelência da Gestão® (MEG) disseminado pela FNQ e mostraram como ele pode ser utilizado por micro e pequenas organizações. A complexidade aparente do sistema faz com que algumas organizações acreditem que ele seja aplicável apenas em grandes corporações, argumenta Utescher. E completa: a sobrevivência das MPEs também depende de sua capacidade de competir no mercado. Por isso a preocupação da FNQ em disseminar as boas práticas e a cultura da excelência para esse público.
Os empreendedores, dos mais variados setores e vindos de diversas partes do País, demonstraram entusiasmo durante a troca de idéias que consumiu toda a manhã do primeiro dia de evento.
Palavras dos ganhadores
Ronaldo Dias Oliveira, diretor da Brasil Price Contábil, empresa de consultoria em contabilidade localizada em Araguaína/TO, com 15 empregados e uma das vencedoras do Prêmio de Competitividade para MPEs, contou que a empresa teve dificuldades em inserir práticas de gestão em seu cotidiano. O turbilhão de atividades rotineiras nos impossibilita de mobilizar os colaboradores constantemente. Esta é a parte mais difícil do processo, confessa Oliveira. Mas o diretor não desistiu e disse que mais do que uma premiação, para nós a conquista deste prêmio é um reconhecimento de que estamos no caminho certo, garante. O próximo desafio da Brasil Price é participar das competições regionais de gestão.
Outro ganhador, Evandro Kostycz, gerente administrativo da RDK Indústria e Comércio, uma empresa de tornearia localizada em Cascavel/PR, disse que os processos de premiação ajudam muito na profissionalização da empresa, pois apresentam maneiras de refletir e analisar suas práticas de gestão, garante. Ele ressalta também que automaticamente, esta avaliação se torna uma melhoria contínua e quase uma consultoria. Assim como Oliveira, o executivo da RDK lembrou das dificuldades de mobilizar a equipe para a implementação de boas práticas na pequena fábrica, em que trabalham 12 pessoas.
A voz e a vez das mulheres
As representantes das organizações reconhecidas com o Prêmio Mulher de Negócios têm idéias semelhantes aos ganhadores do Prêmio Competitividade. A pernambucana Áurea Xavier, da empresa Borda Já, por exemplo, lembrou como a participação em diversas edições do prêmio foi importante para conhecer os pontos fracos e as oportunidades de melhorias de seu negócio.
Na primeira vez que me inscrevi não fiquei nem entre as finalistas. Mesmo assim, me considero ganhadora daquele ciclo, garante. Áurea explicou sua afirmação ao contar que, quando procurou o Sebrae para saber por que motivo não fora classificada, a instituição esclareceu quais eram os problemas de sua empresa. Com isso, busquei aprimorar minha gestão, justificou ela.
Atualmente seu foco é a diversificação de produtos. Além do bordado industrial, vai inaugurar uma representação de confecção em sua cidade, Santa Cruz do Capibaribe/PE. Quer dobrar o faturamento da empresa que, hoje, gera 65 empregos diretos e investe em responsabilidade socioambiental.
A busca pela boa gestão, mesmo entre as micro e pequenas empresas, ultrapassa as fronteiras do mundo corporativo. Um exemplo, entre os premiados pelo Sebrae, é a Business Professional Women (BPW), uma organização não-governamental (ONG) que busca melhorar o padrão de serviços prestados pela mulher e defender a igualdade de oportunidades jurídicas, sociais, econômicas e políticas, nacional e internacionalmente.
Segundo Beatriz Zanella Fett, presidente a Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais, entidade ligada à BPW, o crescimento da participação das mulheres no mundo dos negócios é inegável. A mulher está ganhando cada vez mais autonomia em todos os setores, comentou. Para ela, dois fatores contribuem para este movimento: necessidade e oportunidade. O aumento do nível intelectual da mulher propicia melhores oportunidades, pois ela está muito mais qualificada hoje do que no passado, ressalta.
Tatiana Assumpção
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