Simplicidade das políticas de controle é tema em painel do CEG 2017

12/07/2017

Executivos discutem eficiência e objetivos de um programa de compliance

O Congresso FNQ de Excelência em Gestão, que aconteceu no dia 27 de junho em São Paulo, trouxe para debate o dia a dia das organizações e o que pode ser feito para manter a integridade nos negócios. No painel “Como fortalecer a governança por meio de práticas éticas e transparentes”, representantes do Grupo Promon, Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Votorantim Cimentos e Sabesp foram os responsáveis por discutir o tema. Veja o vídeo com a discussão completa.
 

 

Evolução dos mecanismos de controle

Abrindo o painel, Bruno P. Bandarovsky, Chief Compliance Officer do Grupo Promon, lembrou que normas anticorrupção no Brasil existem desde a época do Império e que a questão a ser debatida não é a sua existência ou não e sim, a instrumentação do Estado para impor e fazer valer essas normas. Para Bruno, o que mudou da época de Dom João para os dias de hoje é a velocidade e a permeabilidade com a qual a informação se propaga e a quebra das fronteiras econômicas advindas da globalização. Esses fatores seriam responsáveis por promover um incômodo e desconforto social face aos escândalos que estamos vendo e isso causa, também, um desconforto corporativo, dando início a uma autorregulação da sociedade por meio da constante vigilância.
 
Menos é mais

Deborah Virgínia Macedo Arôxa, Diretora do Departamento de Transferências Voluntárias e representante do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, ressaltou que, apesar da grande importância de uma política de governança e transparência dentro das organizações, é fundamental que esses processos sejam simples e eficientes. “Os controles de risco devem garantir a geração de resultado. Eles não devem paralisar o funcionamento do órgão público. Para isso, precisamos pensar fora da caixa, fortalecer o controle social, fazer um ecossistema funcional para que a empresa ainda possa ter poder de decisão”, explicou.

O cuidado com o controle excessivo foi tópico unânime entre os painelistas e a Gerente Global de Gestão de Riscos e Compliance da Votorantim Cimentos, Ana Luísa Pinheiro, completou a fala de Deborah dizendo: “O maior desserviço que uma área de compliance pode fazer para uma empresa é criar uma política para inglês ver. Ao criar um processo, é preciso que haja um mecanismo de controle sobre ele”. Para Ana, é importante lembrar que políticas de compliance não devem apenas impedir uma minoria mal-intencionada de fraudar, mas sim auxiliar e guiar as pessoas de valores e bem-intencionadas a evitar um deslize que possa prejudicar a companhia ou a sociedade. Para isso, é fundamental que as políticas sejam comunicadas de maneira clara e eficaz.

Despersonalização da condução da empresa

Para o Superintendente de Gestão de Riscos e Conformidade da Sabesp, Silvio Valdrighi, é preciso estruturar os processos de controle para que indivíduo algum consiga tomar decisões importantes sozinho, sem consultar alguém e, assim, expor a companhia a algum risco de corrupção.
 
Ao encerrar o painel, todos enfatizaram o papel que as políticas de compliance têm em despersonalizar a condução das empresas, para que suas funções sociais não sejam pautadas apenas nos valores de seu administrador e, assim, possa servir aos interesses da sociedade. Para os executivos, elas precisam ser maiores do que sua própria organização. Se sua empresa não estiver de acordo também com as normas e os padrões do seu cliente, esse não fará negócios com você, ou seja, políticas de compliance são questões diretamente ligadas à sobrevivência de mercado.
 
 

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