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Como você imagina a empresa do futuro e o seu papel na construção de uma economia sustentável?

Confira a opinião de 35 especialistas sobre gestão sustentável.
E você, o que acha sobre o tema? O Congresso FNQ de Excelência em Gestão (CEG) quer saber a sua opinião!

Daqui para a frente, empresas que não estabelecerem relações sustentáveis com seus públicos e com o ambiente e que não exercerem suas responsabilidades em sociedade, simplesmente não conseguirão existir – não conseguirão vender para ninguém, não conseguirão comunicar nada, não conseguirão atrair e reter talentos.

O futuro já chegou para boa parte das empresas que perceberam o risco do "business as usual" em suas rotinas num mundo que experimenta uma crise ambiental sem precedentes na História da Humanidade. O que está em jogo é a sobrevivência do próprio negócio e a capacidade de se manter competitivo reduzindo ao máximo o desperdício (água, matéria-prima e energia), investindo em inovação, P&D, ecodesign, novos sistemas de produção com baixa pegada ecológica e estímulo constante à formação de mão de obra qualificada na área ambiental. Importante também estruturar sistemas de rastreabilidade e selagem, que assegurem a origem legal (sem desrespeito às legislações trabalhista e ambiental) dos insumos usados na produção, e certificar todas as etapas da cadeia produtiva. A tendência da nova economia é internalizar os custos ambientais. O empresário que se antecipar a esse movimento, ganha.

O futuro chegará se as empresas, hoje, incluírem a inovação nas operações, políticas e relacionamentos com os públicos de interesse e a comunicação clara com a comunidade, os fornecedores, os parceiros e os consumidores. Garantir o futuro tem início com a abdicação da postura sociopata de que as empresas não erram e muito menos os profissionais que nela trabalham.
O futuro pleno inclui na consciência transmitida a todos os funcionários, da operação à diretoria, de que é necessário produzir com menos e cada vez mais eficiência. Futuro em paz é valorizar o funcionário, treiná-lo, oferecer segurança à família e transformá- lo em ‘embaixador corporativo’. Futuro passa pelo fim do ‘quarter’ e da entrega de resultados a qualquer custo ou condição.
Futuro sustentável também tem a ver com o desenvolvimento de produtos, serviços, discurso e atitude compatíveis com o que o mercado deseja e não soluções ‘tropicalizadas’. A inovação tem de ser ‘made in Brazil’. O futuro garantido e a economia sustentável passam pelo respeito integral e inflexível à legislação e à valorização da ética.

Semelhante à desconstrução criativa de Schumpeter, na qual as inovações destroem ou diminuem tecnologias que se tornam ultrapassadas, o entendimento do propósito dos negócios vem sendo transformado gradualmente por forças sociais mais complexas e conectadas, assim como pela realidade das mudanças do clima. A máxima obtenção de lucro em curto prazo, sem levar em conta suas externalidades, vai dando lugar a novos propósitos, como o de valor compartilhado, no qual a empresa realiza seus negócios e obtém lucro a partir do atendimento às necessidades da sociedade e do ambiente em que está inserida, com respeito à diversidade e promovendo inclusão social.
A empresa do futuro, portanto, é aquela que saberá inovar para operar dentro de um ambiente mais regulado e a partir de uma nova lógica de mercado. Ou seja, como defende Sukhdev em seu livro Corporação 2020, uma empresa que produza capitais (financeiro, social, humano) e conhecimento, para ser capaz de enfrentar o desafio deste século que é o de suprir uma maior demanda por recursos sem exauri-los, em meio às turbulências sociais de um mundo em profunda transformação.

Não haverá um modelo único para as empresas do futuro, mas algumas características são imperativas para a própria existência das mesmas: resolver problemas relacionados à pobreza, desigualdade e questões ambientais locais e globais ao mesmo tempo que gerem lucro, sendo a maneira que o distribuem de pouco relevância.

Nada é simples na construção de uma economia sustentável. No entanto, para a empresa do futuro é essa a escolha, a começar pela definição das escalas de intervenção na geração de riqueza.
É preciso que se busque o amparo na ciência e em pesquisas sérias e inovadoras, para que a seleção da cesta dos indicadores e a escolha das metas obedeçam a razões lógicas em substituição à arbitrariedade do senso comum. É preciso ter em mente que as empresas serão cada vez mais solicitadas – por ativistas, investidores e mídia – a fornecer justificativas consistentes para os seus indicadores de sustentabilidade, hoje pouco compreendidos. As empresas costumam planejar suas próprias metas como estratégia de evolução em novos mercados ou para melhoria da gestão. Há que se buscar um equilíbrio entre a ação empresarial competitiva e a demanda pela mitigação do aquecimento global e preservação de ecossistemas com uma contribuição compulsória representada por uma cesta de indicadores. O novo capitalismo terá participação ativa das empresas em questões políticas que podem acelerar a transição para uma economia de baixa emissão de carbono.

As empresas do futuro estarão voltadas para a sustentabilidade, tanto por exigência dos consumidores, quanto pela necessidade de se manterem eficientes e eficazes, em um mercado cada dia mais competitivo. A missão de uma empresa precisará estar clara para engajar seus colaboradores e a inovação terá papel fundamental nas estratégias corporativas. A decisão de consolidar as iniciativas da empresa para promover a sustentabilidade do negócio dentro dos padrões mais bem-aceitos e amplamente utilizados globalmente é estratégica, repensando sistematicamente nossas práticas e relacionamentos com os mais diversos stakeholders.

A empresa do futuro seja inicialmente um lugar menos hierárquico, porém com exercício da liderança (líderes e liderados). Imagino-a construindo um ambiente mais livre, onde o mais importante será a contribuição das pessoas e não necessariamente sua presença física diária. A sua cultura será construída pela forma como as pessoas se relacionam, usando todos os meios disponíveis que a tecnologia nos provê e nos proverá. Imagino uma organização que compense as pessoas por seus méritos, esforços e resultados, e apenas pelo salário. Imagino um mercado cada vez mais competitivo, onde ter as pessoas mais qualificadas dependerá do ambiente de trabalho que proporcionarmos a elas e da possibilidade de exercitarem seu melhor, de sentirem-se realizadas. O papel da organização será 360º, ou seja, atuará na economia, na sociedade, na comunidade e na vida das pessoas. Terá de limitar seus lucros individuais para gerar mais riqueza coletiva. Será cobrada por seus consumidores, funcionários, clientes e pela sociedade para que exerça seu papel de empresa-cidadã. Terá de se esforçar cada vez mais para ganhar o mesmo que ganha hoje.

A empresa do futuro é aquela que, no presente, busca atualizar seus modelos, por se dar conta que continuar igual em um ambiente em mutação é sentença de desaparecimento. No futuro, qualquer empresa será do passado, a menos que esteja questionando seus meios de agregação de valor, sem esquecer a sustentabilidade e o humanismo.

Na última década, a humanidade deu um dramático pulo para a interatividade, propulsado pela Internet. Essa adoção massiva de interconectividade está tendo um impacto na nossa cultura, modificando todos os padrões de conduta e nos levando a desenvolver novos modelos de organização e inovadoras estruturas para a criação da gestão de conhecimento. Essa mudança sistêmica tem um efeito no propósito das empresas e será insuficiente ter como fim ir somente atrás do crescimento e do lucro.
Diante disso, a tendência mostra como empresas do futuro as empresas B, uma nova geração de companhias que se baseiam em um surpreendente conjunto de princípios. Para isso, o lucro é condição necessária, porém não suficiente. Essa organização está motivada por um propósito que supõe criar benefício econômico, social e ambiental para todos os stakeholders e não somente para os shareholders.
Uma empresa B troca o espírito de competência pelo de colaboração para ser a melhor empresa PARA o mundo, não somente do mundo, transformando-se também na opção mais atrativa para as novas gerações.

A empresa do futuro certamente terá a dimensão da sustentabilidade como elemento essencial em seu modelo de negócio, sendo importante assinalar que, no que tange aos aspectos ambientais, será cada dia mais estratégico considerar os limites/boundaries do planeta. Destes últimos, a mudança do clima exigirá, entre outras coisas, a precificação do carbono como um instrumento fundamental para o combate ao aquecimento global.

Para transformarmos uma empresa, portanto, precisamos transformar o elemento humano. Sendo assim, o ponto de partida rumo à construção de uma empresa do futuro (e de uma sociedade do futuro) é: como transformar pessoas? Uma educação com vistas a formar seres humanos e não apenas consumidores ou indivíduos em estrita busca de satisfação pessoal. A empresa, portanto, acaba sendo o reflexo do ambiente que a circunda, e não o contrário. Ainda que haja um grande esforço por parte de seus dirigentes, é imprescindível que a sociedade passe por um processo de conscientização, transformação e progresso. E a sustentabilidade como valor é algo que já está a caminho. Logo, às empresas de hoje, cabe a tomada de consciência e a assunção de seu papel no processo de formação da pessoa humana. E formação se faz, em grande parte, com exemplo. As empresas se transformam potencializando os recursos humanos, a partir da proatividade de seu corpo diretivo. A empresa do futuro é aquela em que o futuro já é presente, será aquela capaz de promover a transformação, para além de suas fronteiras.

A convicção da GRI é que a construção de uma economia sustentável passa inevitavelmente pela transparência. Assim, a aposta é de que a empresa do futuro será muito transparente em relação a seus impactos e riscos e será aberta a ouvir e se engajar com seus vários públicos de interesse.
Por sua vez, a empresa do futuro precisará também de uma sociedade do futuro, que saiba interpretar a transparência de uma empresa e que atue com vistas a resolver as questões em vez de complicá-las ainda mais; um mercado de capitais com investidores do futuro que demande mais do que dados econômico-financeiros da empresa, legitimando toda a transparência e atuação triple bottom line das organizações; de líderes do futuro que sejam abertos e tenham uma visão ampla da cadeia de valor e dos limites dos impactos de seus negócios; e por final muitos outros agentes do futuro, mas principalmente de pessoas do futuro, afinal são essas pessoas que fazem a empresa.

As empresas são agentes de transformação. Ao focar muitas vezes apenas no lucro de curto prazo, elas certamente contribuíram para a crise que vivemos hoje. Tudo indica que estamos diante da maior ameaça ambiental já enfrentada pela humanidade. As mudanças climáticas, o uso insustentável dos recursos naturais, a imensa desigualdade em diversas partes do planeta são desafios urgentes, que demandam mudanças profundas e amplas. Precisamos de uma sociedade civil forte e atuante. Precisamos de governos responsáveis e verdadeiramente comprometidos com o futuro. Nos negócios, tão importante quanto gerar lucro deve ser a maneira como o geramos. Mas o lucro dentro de um sistema de preços que ignora as externalidades não basta e a empresa do futuro sabe disso. Ela tem consciência de que atua numa interseção das dimensões econômica, política, social e ambiental, e de que gera impactos positivos ou negativos em cada uma delas. A empresa do futuro combina empreendedorismo, inovação e boa gestão com visão de longo prazo. Ela usa as forças próprias do negócio como ferramentas poderosas de transformação social e ambiental.

Para que haja sustentabilidade real e não seja apenas mais uma peça de marketing, a empresa do futuro terá de investir:
- nas pessoas que a compõem,
- em suas relações com o meio ambiente,
- em tecnologia.

Nenhum dos três vértices desse triângulo deverá ser mais privilegiado que os outros.

Tentando antever o que virá em função do que está ocorrendo no mundo todo, pode-se vislumbrar o caminho que as empresas líderes começaram a traçar:

1. Uma preocupação crescente com a competitividade em um jogo intensivo de concorrência e disputa nos mercados globais. Isso fortalece a responsabilidade financeira das empresas e tem um alvo claramente visível: a sustentabilidade econômica.

2. Uma preocupação crescente com a responsabilidade social na medida em que as empresas garantem ética, reputação e prestígio.

3. Uma preocupação crescente com a responsabilidade ambiental, na medida em que garantem que seus parceiros operem sem agredir a natureza e seus recursos naturais.

4. E isso está provocando uma preocupação crescente com a responsabilidade cultural das empresas, na medida em que investem cada vez mais na gestão do conhecimento corporativo, para preparar seus funcionários para serem cidadãos de um mundo global com comportamentos cada vez mais responsáveis e éticos.

Essas quatro responsabilidades projetam uma visão de futuro, a qual promete empresas buscando uma economia sustentável baseada nesses pilares.

A empresa do futuro é aquela que dá o seu melhor no presente. Estar consciente é só o começo, tem que ser coerente e praticar inovações radicais que melhorem o mundo em escala. O lucro por si só já não é um bom negócio e a economia sustentável se forma em rede, com negócios regenerativos, unindo alta tecnologia com sensibilidade humana, inteligência emocional e crescimento, virtudes e atitudes.

Há indícios, movimentos, forças culturais que condicionam empresas a pensar de modo a inserir o conceito de sustentabilidade no eixo do negócio. É possível afirmar que não haverá espaço para grandes empresas, de alcance razoavelmente global e para novas empresas com força inovadora que não se dediquem a repensar e a oferecer novas propostas de valor para os seus stakeholders, o que inevitavelmente significa que elas devem ser agentes de mudança, promotoras do bem comum e geradoras de lucro digno.
Há outras tendências que forçam, no cenário de hoje, as empresas a modificarem e reorientarem sua visão: sociedade em rede, demografia, urbanização, imaterialização, acesso ao invés de posse, escassez de recursos.
Penso que a empresa do futuro será socialmente engajada, um agente de mudanças e uma força empreendedora em prol da construção de sociedades de consumo mais avançadas, produzindo informação, oferecendo serviços e tendo consciência de seu valor para a sociedade, a cadeia de valor, os colaboradores, consumidores, sociedade. A visão do acionista irá se confundir com a de enriquecimento e geração de valor social.

A empresa do futuro terá a coragem de assumir um papel transformador para que um novo pensamento econômico se consolide, revolucionando o sentido de tudo o que tem sido feito até agora, para que a excelência se traduza em prosperidade coletiva e o crescimento não ultrapasse das fronteiras da sustentabilidade e da ética.

Entendo que a empresa do futuro será composta por pessoas que terão modelos de pensamento diferentes dos nossos, onde o papel de uma organização irá além da procura de lucros e resultados somente financeiros, procurando uma economia baseada em reutilizar recursos e colaboração para o bem-estar da sociedade. Acho que teremos redes de empresas que, com inovação tecnológica, fornecerão soluções que não agridam o meio ambiente e que serão fontes de mudança para atender cenários climáticos e sociais muito desafiadores.

A empresa do futuro é aquela que desenvolve seu planejamento estratégico integrando as dimensões econômica, social, ambiental e ética. Como consequência de suas práticas, possui uma reputação sólida frente aos segmentos da sociedade.
Incide em políticas públicas de modo a criar ambientes favoráveis ao desenvolvimento sustentável. No tema da biodiversidade, recompensa a contribuição das comunidades e dos povos indígenas, por meio da repartição dos benefícios resultantes do desenvolvimento e da comercialização de produtos.
Possibilita condições dignas de trabalho, promove a diversidade e a igualdade de oportunidades e estimula o mesmo para sua cadeia de valor. Remunera seus funcionários de forma justa, garantindo um nível de vida decente, sem diferença por idade, gênero ou raça.
Investe em um sistema de compliance visando atuar com integridade e transparência. Orienta seus investimentos para o longo prazo e atrai investidores e acionistas. Compensa financeiramente seus líderes também em relação à consecução de metas ligadas aos indicadores-chave das políticas de sustentabilidade.
Gera valor para a sociedade.

Na Endeavor, acreditamos que a empresa do futuro é a que se destaca por ser muito mais inovadora do que a média do seu mercado, que cresce aceleradamente, gera empregos e impacta positivamente o setor em que atua. As empresas de alto crescimento são as que construirão uma economia sólida, inovadora, que pense globalmente, que gere impacto além das fronteiras do Brasil, que traga novos produtos e serviços, que seja disruptiva com a indústria que já existe.

Como então podemos imaginar uma empresa do futuro que mantém o mesmo modelo mental e linear de produção e descarte? Como podemos imaginar uma sociedade do futuro que visa o consumo como falsa expressão de vaidade, felicidade e pertencimento? Acredito e sonho com empresas que, no futuro, possam fazer o novo de um jeito novo, ir além de gerar valor para si próprias, que compreendam de forma mais profunda sua interdependência no planeta, que aprendam mais com a natureza (que afinal vive neste planeta há muito mais tempo do que nós), que possam praticar verdadeiramente novos valores, tendo a ética como sua principal bandeira e, por fim, que consigam compreender que o consumo por si só não sustenta nem a economia, tampouco a vida na Terra. Acredito que as empresas têm a oportunidade de protagonizar novos caminhos em nosso futuro, influenciando positivamente na transição de valores da sociedade - do ter para ser, do linear para o sistêmico, do independente para o interdependente, do eu para nós. Afinal, indivíduos ou instituições, estamos todos coexistindo neste planeta em constante ebulição.

Toda vez que falamos em sustentabilidade, estamos nos referindo a negócios, empresas, projetos e sonhos possíveis de serem alcançados e duradouros. Na visão da ToLife, os negócios têm que trazer benefícios financeiros, sim, mas, essencialmente, soluções que impactam a qualidade de vida das pessoas envolvidas: colaboradores, clientes, parceiros e para a sociedade. Numa economia em que os recursos são cada vez mais escassos, em termos de meio ambiente, tempo e espaço, é preciso pensar estratégias coletivas, no âmbito da empresa e da cadeia onde ela se situa, focando em ganhos reais e perenes. Especialmente na área de saúde, é vital e urgente a soma de esforços para a busca contínua de inovação. Estamos num país com a população envelhecendo; os idosos serão maioria num curto espaço de tempo e os sistemas de saúde deverão ser capazes de responder às suas demandas. As empresas têm um papel impactante na sociedade e dela dependem. Portanto, é inviável pensar de forma isolada; fazemos negócio pensando no hoje e no futuro das próximas gerações.

A sustentabilidade faz parte da agenda do século 21. Os donos de pequenos negócios que conseguem incorporar o viés econômico, social e ambiental tornam seus empreendimentos diferenciados no mercado. Para crescer e se desenvolver, todo negócio precisa ser competitivo. E não podemos pensar em competitividade sem considerar a inovação em práticas que reduzem os custos. Atitudes simples, principalmente no uso racional de água e energia, diminuem desperdícios do negócio, agregam valor ao produto e criam a responsabilidade social da empresa.

As empresas têm um papel fundamental na construção de uma economia sustentável. Por ser o setor que mais impacta e influencia a sociedade, elas podem ser o grande catalisador da mudança que precisamos. Para isso, precisam passar também por um processo de transformação. Uma empresa da nova economia gera valor compartilhado para toda a sua cadeia, não apenas para um ator específico. Com um alto nível de governança, prestação de contas e transparência, são empresas que consideram as externalidades e criam, de forma disruptiva, modelos de negócios inovadores e regeneradores de nosso ambiente, seja social ou ambiental. Medem o que importa e contribuem para o fortalecimento de uma comunidade e para um movimento global de pessoas que usam a força dos negócios para resolução de problemas sociais e ambientais. As empresas do futuro são as melhores empresas PARA o mundo.

A função de uma empresa sempre foi realizar o que indivíduos não conseguiriam sozinhos. No modelo tradicional, o diferencial de uma empresa estava nos ativos (locais, tecnologias e pessoas alocadas). Hoje, a transformação tem causado três impactos profundos: o barateamento da tecnologia, o aumento da complexidade e a ampla conexão entre indivíduos. Possuir máquinas e equipamentos passa a ser cada vez menos diferencial para as empresas, pois qualquer indivíduo tende a fazer o mesmo. Possuir “recursos humanos” alocados passa a fazer cada vez menos sentido em um mundo hiperconectado em que as pessoas podem facilmente se organizar entre si. Para ter sucesso e ser sustentável, as empresas precisarão catalisar a colaboração de capital humano de excelência - esse será o principal fator de diferenciação de uma organização. As empresas do futuro serão espaços híbridos (on + off) que favoreçam a colaboração e curadoria de talentos de forma pontual. Ao invés de possuir Recursos Humanos, as empresas do futuro serão Curadoras de Talentos, que possibilitem e favoreçam a colaboração

A empresa do futuro será focada não em produtos e serviços, mas sim em pessoas. Será voltada para resolver as questões sociais e ambientais mais relevantes dentro de um mundo que não se sustenta mais na mesma lógica. Trabalhando nas empresas do futuro, as pessoas não precisarão escolher entre ganhar dinheiro e mudar o mundo. Elas farão as duas coisas ao mesmo tempo.

A empresa do futuro vai pensar e agir de forma sistêmica, com a gestão equilibrada dos capitais humano, social e natural. Ela atuará de forma ética, interagindo, contribuindo e gerando valor para o sistema como um todo. Inovação, reciclagem, visão de que o lucro não é a única finalidade da empresa, pensamento de longo prazo, educação contínua e responsabilidade socioambiental serão componentes do cotidiano dessas empresas. Algumas empresas já escolheram trilhar estes novos caminhos.

Há três organizações importantes que apontam as formas pelas quais as empresas podem contribuir para o desenvolvimento sustentável. O Sistema B mostra a urgência da responsabilidade, não só com relação aos consumidores e o meio ambiente, mas também relativamente aos próprios trabalhadores das companhias. O B Team trabalha para que o custo, hoje oculto, do uso dos recursos ecossistêmicos (água, produção de lixo, emissões, por exemplo), esteja incorporado ao sistema de preços. E a Fundação Ellen McArthur trabalha para que o sistema de extrair, transformar, usar e descartar seja substituído pela economia circular, que revaloriza os materiais e a energia em que se apoiam os sistemas produtivos. Mais que parâmetros, são inspirações para que se transforme a maneira habitual de fazer negócios.

A empresa do futuro é aquela que percebe os principais movimentos de mudança de valores da sociedade ocorridas no início do século 21. Elas poderiam ser resumidas em algumas tendências, como: sociedade em rede, urbana, conectada, transparente, globalizada e integradora das dimensões social, econômica e ambiental. Nesse contexto, as empresas precisam ser flexíveis, adaptáveis, éticas e geradoras de valor para todas as partes interessadas. A finalidade última de uma empresa deixa de ser a remuneração dos investidores ou otimização dos custos para remuneração do capital. Seu objetivo passa a ser a geração de valor para o conjunto das partes interessadas na construção de um branding irradiador de confiança e capaz de estabelecer relações de qualidade com seus clientes e fornecedores.
Uma empresa assim, conectada às redes dos seus stakeholders, com uma arquitetura de gestão aberta e horizontal, capaz de alavancar o máximo da inteligência coletiva instalada nas redes que fomenta, será aquela que melhor capacidade terá de formular tecnologias, vantagens competitivas, cooperação estratégica e resiliência.

As empresas, independentemente do estágio de economia sustentável dos países onde atuam, podem acreditar que ser sustentável é a melhor forma de atuar no mercado. Já ouvi de um executivo a seguinte frase: "Fazemos algo pela sustentabilidade por que os concorrentes fazem, mas ninguém liga para isso". E no final dos anos 1950 um executivo falou a seguinte frase: "Qualidade vai quebrar a empresa pois aumenta demais os custos". Sabemos que a realidade hoje nas organizações em relação a qualidade é: do presidente do Conselho até o profissional menos graduado todos pensam e atuam com qualidade, ou seja, qualidade na veia de todos na empresa, a sustentabilidade trilhará um caminho muito semelhante ao percorrido pela qualidade.
Para o país ir para uma economia sustentável, é fundamental ter fortemente erguidas as duas colunas que a sustentaram para sempre: atuação empresarial sustentável (em todos os sentidos) e atuação do Estado de forma sustentável.

O desafio de gerar impacto social e valor financeiro ao mesmo tempo inclui encontrar um modelo de governança que cuida do bem social. Desde toda a cadeia de suprimentos e seleção de fornecedores que respeitam o meio ambiente e seus funcionários até a estratégia de preço e canais de distribuição do nosso serviço. A empresa do futuro tem que assumir suas responsabilidades de protagonista dentro deste processo de construção de uma economia sustentável e, para isso, precisa ser transparente, considerar sua relação com os colaboradores, comunidade, meio ambiente, fornecedores e governo.

As empresas do futuro estão nascendo hoje por meio de líderes mais conscientes, motivados por um propósito maior e que entendem que a transformação virá da iniciativa privada e não dos governos ou ONGs. É uma organização que tem uma orientação para todos os envolvidos em vez do foco no acionista e no resultado financeiro. Entendem que seu sucesso é medido por meio da geração de resultado para todos os envolvidos, diferentemente do padrão atual de ensino e operação, que prega que o objetivo da empresa é gerar lucro. Estará baseada em 4 princípios fundamentais:
1) Será comandada por um líder consciente, que entende a sua relação com todas as partes envolvidas e tem senso de prioridade e responsabilidade diferenciado.
2) Terá um propósito maior: a linha mestra para tomada de decisão e que transcende o lucro e o resultado de curto prazo.
3) Terá orientação para os envolvidos, baseando decisões em relações ganha-ganha em vez de trade-offs, engajando todos através do propósito maior.
4) E criará uma cultura consciente de alto engajamento e comprometimento com o propósito e os valores da organização.

As empresas do futuro devem ocupar, cada vez mais, o protagonismo das discussões e das inovações relativas à viabilidade de novas tecnologias em benefício da sociedade, incorporando a sustentabilidade no modelo de negócio. As empresas terão um papel de advocacy, de influenciar e estabelecer parcerias com diversos setores da sociedade, visando o desenvolvimento global, em um contexto que consumidores-produtores serão uma realidade. Esse interrelacionamento e maior proximidade com os consumidores exigirá uma maturidade civil das empresas, com consequências positivas esperadas do ponto de vista socioambiental. No caso específico do setor elétrico, a energia será fundamental na vida das pessoas e as empresas atenderão às demandas da sociedade do futuro com serviços de eficiência energética e investimentos em geração renovável, como eólica e solar, que já são realidade. Tecnologias, como smart grid e armazenamento de energia, também contribuirão para a melhoria dos serviços atuais e para oferta de novos serviços sustentáveis.