35 opiniões + a sua

Como você imagina a empresa do futuro e o seu papel na construção de uma economia sustentável?

Confira a opinião de 35 especialistas sobre gestão sustentável.
E você, o que acha sobre o tema? O Congresso FNQ de Excelência em Gestão (CEG) quer saber a sua opinião!

Daqui para a frente, empresas que não estabelecerem relações sustentáveis com seus públicos e com o ambiente e que não exercerem suas responsabilidades em sociedade, simplesmente não conseguirão existir – não conseguirão vender para ninguém, não conseguirão comunicar nada, não conseguirão atrair e reter talentos.

O futuro já chegou para boa parte das empresas que perceberam o risco do "business as usual" em suas rotinas num mundo que experimenta uma crise ambiental sem precedentes na História da Humanidade. O que está em jogo é a sobrevivência do próprio negócio e a capacidade de se manter competitivo reduzindo ao máximo o desperdício (água, matéria-prima e energia), investindo em inovação, P&D, ecodesign, novos sistemas de produção com baixa pegada ecológica e estímulo constante à formação de mão de obra qualificada na área ambiental. Importante também estruturar sistemas de rastreabilidade e selagem, que assegurem a origem legal (sem desrespeito às legislações trabalhista e ambiental) dos insumos usados na produção, e certificar todas as etapas da cadeia produtiva. A tendência da nova economia é internalizar os custos ambientais. O empresário que se antecipar a esse movimento, ganha.

O futuro chegará se as empresas, hoje, incluírem a inovação nas operações, políticas e relacionamentos com os públicos de interesse e a comunicação clara com a comunidade, os fornecedores, os parceiros e os consumidores. Garantir o futuro tem início com a abdicação da postura sociopata de que as empresas não erram e muito menos os profissionais que nela trabalham.
O futuro pleno inclui na consciência transmitida a todos os funcionários, da operação à diretoria, de que é necessário produzir com menos e cada vez mais eficiência. Futuro em paz é valorizar o funcionário, treiná-lo, oferecer segurança à família e transformá- lo em ‘embaixador corporativo’. Futuro passa pelo fim do ‘quarter’ e da entrega de resultados a qualquer custo ou condição.
Futuro sustentável também tem a ver com o desenvolvimento de produtos, serviços, discurso e atitude compatíveis com o que o mercado deseja e não soluções ‘tropicalizadas’. A inovação tem de ser ‘made in Brazil’. O futuro garantido e a economia sustentável passam pelo respeito integral e inflexível à legislação e à valorização da ética.

Semelhante à desconstrução criativa de Schumpeter, na qual as inovações destroem ou diminuem tecnologias que se tornam ultrapassadas, o entendimento do propósito dos negócios vem sendo transformado gradualmente por forças sociais mais complexas e conectadas, assim como pela realidade das mudanças do clima. A máxima obtenção de lucro em curto prazo, sem levar em conta suas externalidades, vai dando lugar a novos propósitos, como o de valor compartilhado, no qual a empresa realiza seus negócios e obtém lucro a partir do atendimento às necessidades da sociedade e do ambiente em que está inserida, com respeito à diversidade e promovendo inclusão social.
A empresa do futuro, portanto, é aquela que saberá inovar para operar dentro de um ambiente mais regulado e a partir de uma nova lógica de mercado. Ou seja, como defende Sukhdev em seu livro Corporação 2020, uma empresa que produza capitais (financeiro, social, humano) e conhecimento, para ser capaz de enfrentar o desafio deste século que é o de suprir uma maior demanda por recursos sem exauri-los, em meio às turbulências sociais de um mundo em profunda transformação.

Não haverá um modelo único para as empresas do futuro, mas algumas características são imperativas para a própria existência das mesmas: resolver problemas relacionados à pobreza, desigualdade e questões ambientais locais e globais ao mesmo tempo que gerem lucro, sendo a maneira que o distribuem de pouco relevância.

Nada é simples na construção de uma economia sustentável. No entanto, para a empresa do futuro é essa a escolha, a começar pela definição das escalas de intervenção na geração de riqueza.
É preciso que se busque o amparo na ciência e em pesquisas sérias e inovadoras, para que a seleção da cesta dos indicadores e a escolha das metas obedeçam a razões lógicas em substituição à arbitrariedade do senso comum. É preciso ter em mente que as empresas serão cada vez mais solicitadas – por ativistas, investidores e mídia – a fornecer justificativas consistentes para os seus indicadores de sustentabilidade, hoje pouco compreendidos. As empresas costumam planejar suas próprias metas como estratégia de evolução em novos mercados ou para melhoria da gestão. Há que se buscar um equilíbrio entre a ação empresarial competitiva e a demanda pela mitigação do aquecimento global e preservação de ecossistemas com uma contribuição compulsória representada por uma cesta de indicadores. O novo capitalismo terá participação ativa das empresas em questões políticas que podem acelerar a transição para uma economia de baixa emissão de carbono.

As empresas do futuro estarão voltadas para a sustentabilidade, tanto por exigência dos consumidores, quanto pela necessidade de se manterem eficientes e eficazes, em um mercado cada dia mais competitivo. A missão de uma empresa precisará estar clara para engajar seus colaboradores e a inovação terá papel fundamental nas estratégias corporativas. A decisão de consolidar as iniciativas da empresa para promover a sustentabilidade do negócio dentro dos padrões mais bem-aceitos e amplamente utilizados globalmente é estratégica, repensando sistematicamente nossas práticas e relacionamentos com os mais diversos stakeholders.

A empresa do futuro seja inicialmente um lugar menos hierárquico, porém com exercício da liderança (líderes e liderados). Imagino-a construindo um ambiente mais livre, onde o mais importante será a contribuição das pessoas e não necessariamente sua presença física diária. A sua cultura será construída pela forma como as pessoas se relacionam, usando todos os meios disponíveis que a tecnologia nos provê e nos proverá. Imagino uma organização que compense as pessoas por seus méritos, esforços e resultados, e apenas pelo salário. Imagino um mercado cada vez mais competitivo, onde ter as pessoas mais qualificadas dependerá do ambiente de trabalho que proporcionarmos a elas e da possibilidade de exercitarem seu melhor, de sentirem-se realizadas. O papel da organização será 360º, ou seja, atuará na economia, na sociedade, na comunidade e na vida das pessoas. Terá de limitar seus lucros individuais para gerar mais riqueza coletiva. Será cobrada por seus consumidores, funcionários, clientes e pela sociedade para que exerça seu papel de empresa-cidadã. Terá de se esforçar cada vez mais para ganhar o mesmo que ganha hoje.

A empresa do futuro é aquela que, no presente, busca atualizar seus modelos, por se dar conta que continuar igual em um ambiente em mutação é sentença de desaparecimento. No futuro, qualquer empresa será do passado, a menos que esteja questionando seus meios de agregação de valor, sem esquecer a sustentabilidade e o humanismo.

Na última década, a humanidade deu um dramático pulo para a interatividade, propulsado pela Internet. Essa adoção massiva de interconectividade está tendo um impacto na nossa cultura, modificando todos os padrões de conduta e nos levando a desenvolver novos modelos de organização e inovadoras estruturas para a criação da gestão de conhecimento. Essa mudança sistêmica tem um efeito no propósito das empresas e será insuficiente ter como fim ir somente atrás do crescimento e do lucro.
Diante disso, a tendência mostra como empresas do futuro as empresas B, uma nova geração de companhias que se baseiam em um surpreendente conjunto de princípios. Para isso, o lucro é condição necessária, porém não suficiente. Essa organização está motivada por um propósito que supõe criar benefício econômico, social e ambiental para todos os stakeho